Carreira

Transição de carreira na prática

Transição de Carreira na prática

Como fazer uma transição de carreira? Essa é a pergunta que muita, mas muita gente está se fazendo hoje. E decidimos ajudá-los com isso. Surgem inúmeras dúvidas, ao longo desse processo. “Por onde começar? Para onde eu vou? Isso é arriscado?” Apesar das dúvidas, todos temos duas certezas: 1. Não dá mais pra continuar vivendo em um função de algo que não faz mais sentido; 2. O desejo de mudar é real.

A gente já falou aqui sobre a relação entre propósito e felicidade no trabalho.

Comparar trajetória profissional é armadilha

A gente se acostumou a ouvir falar. Na escola, nos jantares entre amigos, nos vídeos do youtube. Sobre viagens, relacionamentos, trabalho. Muitas vezes, recebemos a informação em terceira mão. Aceitamos o “me contaram” , “ li sobre”, “ conheci uma pessoa que”. E assim criamos verdades com bases frágeis, mas fortes o suficiente para limitar nossa perspectiva.

Comparação profissional

 

imagem: pexels

Desde que saí da consultoria para buscar algo que faça mais sentido pra mim tem sido assim. “Helena fez isso”, “Mauro trabalha dessa forma”, “sabia que o sucesso vem assim?”. Assim mesmo: sem considerar que cada história é uma, e que às vezes sugestões e dicas fora de contexto (por mais bem intencionadas que sejam) não agregam muito. Ou pior: abrem espaço para uma comparação desnecessária e infrutífera.

Buscando evitar essa dualidade, transformei minha experiência em listas práticas que podem ser adotadas (ou não) como encaixar. De trás pra frente, de ponta cabeça, invertido ou do jeito que tá aqui mesmo.

Muita coisa aconteceu antes: identificar que queria e precisava mudar foi um processo lento. Muita coisa ainda vai acontecer: não é uma história de sucesso nem tem final (e não vai ter mesmo). Mas se servir de referência já tá bom. Se iluminar o caminho, nem que seja na direção oposta, melhor.

*pra quem quer mais exemplos, eu super indico o livro “Do cool Shit”, da Miki Agrawal, onde ela divide um pouco dessas questões existenciais na mudança da vida executiva para a Wild, uma pizzaria vegana em NYC!

O Limbo do “e agora?” : O primeiro passo ao desconhecido na mudança de trabalho

Como organizar informações soltas e formular algum tipo de “bom plano”?

A decisão de sair do meu antigo emprego considerou vários fatores: planos, pessoas, processos, perspectivas. Saber o que não funciona vale muito, mas o universo de opções que se abre pode ter um efeito congelante. Esse momento de transição na carreira é muito importante para o nosso crescimento tanto pessoal como profissional. Manter a motivação enquanto aumentamos o leque de possibilidades é a chave.

O medo do desconhecido na hora de deixar o trabalho

 

imagem: pexels

Paralisia por análise, diria a consultoria. Querer conhecer tudo antes de dar o próximo passo. A mente buscando certeza, segurança: a sobrevivência a partir de padrões já conhecidos.

É importante dedicar espaço (na agenda e na mente) para esse processo, mas mantendo o fluxo: nada de ad eternum.

Até porque a vida é um conjunto de transições e esses ajustes – intencionais ou não – acontecem o tempo todo. Mudar é uma habilidade e, como tal, fica mais fácil e mais intuitiva quando exercitada.

 

Esses 6 passos te ajudam a começar na transição de carreira

Infográfico: como fazer trasição de carreira

 

1) Aprender o máximo possível sobre o que te interessa (o que quer que seja).

Se você já sabe que quer mudar, há uma grande chance de já ter dedicado algum tempo a essa atividade: descobrir sobre seus interesses. Se não fez ainda, então é pra começar pra já!

Entender sobre o contexto dos seu interesse? Como as pessoas atuam profissionalmente nele? Quem compõe a cena atual? Quais são as formas de se envolver nele?

Amo esse passo porque dá pra começar agora: uma busca no google e a corrente de links garante informação para dias, talvez meses (não caia nessa!).

Essa pesquisa pode ser estruturada (ou desestruturada mesmo) de várias formas. Sistematizar ou não, registrar os achados ou não, o importante é mergulhar. Artigos, vídeos, blogs, TED talks, redes sociais: cada um sabe como absorver – e, acredite, quando o tema é bom, cada novo ângulo só deixa tudo mais envolvente.

Com isso, a gente cria um mapa introdutório de pessoas, lugares, eventos e marcas para nos ajudar a navegar nessa nova realidade.

 

2)  Observar o reflexo desse mapa no meu universo:

Amigos envolvidos, empresas com iniciativas locais, pessoas contando histórias que queremos ouvir. Conhecer mais sobre um assunto é vislumbrar uma rede sutil de conexões: um autor cita o outro, empresas incríveis colaboram e eventos juntam gente de todos os tipos em torno de um tema comum.

Como com a bibliografia das teses, um movimento é o suficiente: e uma coisa vai puxando a outra. E algumas dessas pontas estão pertinho da gente.

Essa percepção muda o valor de cada conversa e expande gradualmente o que consideramos nosso, nos introduzindo sorrateiramente onde já queríamos estar.

 

3) Envolver-se na comunidade

Participar de eventos, abordar especialistas, conectar-se: falar, ouvir, perguntar, aproximar-se, inspirar-se, motivar-se. Ainda que de forma amadora, navegar novos espaços é inspirador. Mais que acompanhar os movimentos, estamos dentro do fluxo. Quando queremos fazer essa transição de carreira, as pessoas que conhecemos serão as portas de oportunidades que vão ser abertas.

Conhecer novas pessoas, novos ângulos, novas perspectivas é alimentar nossa criatividade com novos estímulos. Nos torna mais interessantes, mais articulados, mais confiantes.

O oposto é parte do processo. Vencer a insegurança de ser/ oferecer/ saber pouco (especialmente se comparado à atuação anterior) é essencial. Qualquer que seja a situação ou o interlocutor, vulnerabilidade é o oposto de fraqueza.

*Dica: desista de preencher todas as lacunas: informações novas surgem com mais frequência do que piscamos os olhos. As lacunas vão sendo preenchidas, confia.

 

4) Ampliar as referências, extrapolar o social:

Conversas são incríveis, mas ainda são conversas: muito do abismo entre a perspectiva de quem fala e a nossa continua intocado.

Já com insights internos do mundo que admiramos e conhecendo diferentes ramificações possíveis, é possível aumentar nosso estoque de referências. As opções não acabam: programas, cursos, workshops, palestras são alguns exemplos. Muita gente cai na tendência dos algoritmos e acaba conhecendo apenas o que está melhor ranqueado em buscas e redes sociais.

A ordem aqui não é acidental: envolver-se com pessoas é a melhor forma de introdução a temas diversos. O contato pessoal com elas permite guias especializados e indicações sensíveis para aprofundar os temas que mais nos interessarem.

Se confiamos nos profissionais, confiamos nas suas sugestões de cursos e programas. Podemos dizer o mesmo do google?

 

5) Seguir o raciocínio, buscar a origem:

Do mesmo jeito que fazer uma pressão mais forte com o dedo aumenta a assertividade na leitura de impressões digitais, conhecer teorias e abordagens técnicas em sua origem preenchem lacunas mais profundas no nosso entendimento.

E do mesmo jeito, é o movimento intencional que otimiza a área conhecida. Pequenas inclinações em diferentes direções estimulam a diversidade e enriquecem nossa perspectiva. As novas informações vão assentando num terreno ainda fresco e se moldando ao que já sabemos – criando infinitas conexões.

Na intercessão de pensamentos, vamos identificando elementos comuns: fontes, pessoas, teorias. Conhecer esses nomes, entender seu papel, estudar o contexto e a originalidade do que consumimos nos ensina a diferenciar quem faz de quem segue. E é esse grupo de quem faz que queremos observar, entender e, muito provavelmente, integrar.

 

6) Criar um “ cenário ideal” :

Construir uma imagem dinâmica dos assuntos que nos interessam e que começamos a entender nos permite vislumbrar formas de atuação diferentes. Qualquer que seja a que, no momento, faz mais sentido pra gente (sujeita a mudanças), um primeiro passo é fundamental.

É desse passo que surgem os estímulos e sensações que vão, novamente, mudar nossa forma de pensar e nossos planos pro futuro. Mas é essencial que ele aconteça – justamente para que novas informações surjam. (Já perceberam que cada passo é mais e melhor embasado que o anterior?)

Com um objetivo em mente, fica mais tangível formular perguntas e criar conexões.

 

Com um objetivo em mente: avante!

Com esses seis passos, é possível adquirir uma visão mais clara do que desejamos com essa transição de carreira e mudança de trabalho. Mesmo que ainda mínimo, ela provê um certo grau de conforto – em situações naturalmente incômodas de transformação. Os passos são pensados para serem simples: o processo todo pode variar de dias a algumas semanas – não mais do que isso.

Construa a sua visão, idealize o cenário para a transição de carreira.

E pode ser repetido com cada nova mudança, ou cada novo tema que desperte interesse e curiosidade.  As possibilidades são infinitas. Por isso, há grandes chances de o cenário ideal apontar para múltiplas ações (e que a maior parte delas seja de fato interessante).

Mentaliza essas opções, coloca em prática e aguarda o próximo artigo, onde quebrei meu processo de decisão em 6 passos pra te ajudar a escolher melhor dentro das possibilidades que vão surgir depois dessa primeira exploração apresentada aqui!

Enquanto aguarda os próximos passos, e com mais clareza depois desse artigo, aproveita para ver Como criar seu próprio trabalho !

Maria Julia Bezzi

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