Se você prefere ouvir esse conteúdo, Segundo Round também está disponível aqui. Segundo Round é o primeiro de uma série de conversas sobre sucessão, intraempreendedorismo e transformação de empresas em movimento.

É assim que eu vejo empresa familiar.

Ou pelo menos foi como eu descrevi há uma semana, num post do Instagram.

Depois que a primeira geração (a.k.a você aí que começou seu próprio negócio, colocou sua cara em tudo que faz, desbravou desafios, evoluiu processos e cuidou dos clientes com tanto carinho) já apanhou tanto pra estar onde está, chega a hora de continuar.

E aí vem a segunda geração, que tem que entender aquilo que tá só na cabeça, perceber o que precisa ser atualizado, conectar com o time, conhecer o negócio, pesquisar as tendências, dar segurança para a gestão e ainda lidar com todo o emocional de pais/ mães/ tios/ irmãos/ primos que te conhecem a vida toda e que deram a vida por aquilo ali.

Tem muita coisa boa, claro: já existe um nicho de mercado, alguma organização dos processos, o caixa é positivo, tem uma equipe pra te apoiar e muuito conhecimento pra absorver.

Mas vou te dizer que às vezes parece que seria mais fácil começar do zero.

Aplicar todo o conteúdo, dicas, hacks, inspirações desses milhares de canais incríveis sobre empreendedorismo e criatividade sem precisar adaptar pra uma realidade existente. Sem precisar pesar com o que já existe ou alinhar com processos imperfeitos e pessoas reais.

Vocês também não tão cansados de adaptar?

transformar não é empreender

Às vezes a sucessão, o intraempreendedorismo e outros processos formais e informais de transformação até parecem ligados a empreender. Com certeza existem coisas em comum e elementos que podem ser aproveitados. Aprender é, em parte, ajustar. Pôr em prática. Nenhum contexto é igual.

Mas as diferenças gritam.

Existe uma liberdade no “começar do zero”, no “não ter nada a perder” – com aspas imaginárias aqui, associado ao empreendedorismo. Existe uma liberdade em fazer sozinho, em se investir, em ser sua marca, seu negócio, seus planos.

A contrapartida é a pressão (às vezes não tão sutil) da interdependência. De depender de alguns crivos e aprovações, de ter pessoas e resultados que dependem da gente. De ser responsável pela mudança e por suas consequências, pensadas ou não, positivas ou não. Dos relacionamentos que existem, talvez mais sensíveis pelo vínculo da família. Da vontade de se provar, de buscar legitimidade, de ser mais que o filho ou sobrinho do dono que só manda alguma coisa porque é da família real.

Às vezes a pressão vem da família, do conselho de diretores, dos chefes (que podem ser todos as mesmas pessoas) e às vezes é nossa mesmo. De querer se provar, querer mudar sem causar uma disrupção muito grande – sem arriscar.

Eu mesma fiquei muitas vezes em cima do muro. Até admitir pra mim mesma (e pros outros) que eu topava o desafio, que eu colocaria minha energia, meu esforço, minha vontade aqui. Diferente de empreender, envolver outros em cada decisão tem um peso atrelado que pode nos travar. Posso dar aula sobre essa resistência. Sobre dissipar a ideia de fazer parte do “negócio da família” toda a vez que ela aparece, em outros trabalhos, outros lugares, outras decisões.

#tamojunto

Se você tem um empreendedor na família, com um negócio que tem sucesso pelo não tão simples fato de existir e perpetuar – eu entendo a pressão. A gente tem vontade de explorar o mundo nos nossos termos, de quebrar a cara sozinhos mesmo, de inventar nossas regras e conhecer outras estruturas de poder. Ainda mais agora que só se fala em empreender, causar impacto e mudar o mundo.

Mas existe outra opção. Um interesse, um desafia, uma vontade (mesmo que mínima) de ver qual é que é. De ver onde isso pode dar. Uma provocação para melhorar resultados, inspirar pessoas e transformar processos em casa. Se eu posso (porque eu posso) fazer a diferença sozinha, imagina com esse trampolim que é tudo que foi construído até agora.

Até porque tudo isso que já existe tá ali, e tem muito que a gente pode aproveitar e absorver pra nossa própria vida. Pros nossos aprendizados. Como nossos experimentos pessoais. Quem sabe até transformar em algo, mais rápido e pulando algumas etapas, que seria no fim exatamente o que a gente queria ter feito o tempo todo.

entrando no ringue

A decisão é mega difícil, mas será que ignorar essa possibilidade não seria desperdiçar um caminho potencialmente bem legal?

Esses pensamentos me acompanham por muito tempo.

  • A curiosidade.
  • A pressão.
  • A provocação.
  • O medo.
  • A dúvida.
  • O FOMO, não querer perder nada.

E talvez falar sobre isso com quem está na mesma situação, com quem poderia estar na mesma situação e escolheu outro caminho, por quem já passou por isso e seguiu seu rumo, pode ajudar.

bora?

Esse é o episódio zero da nossa exploração no mundo da empresa familiar.

Porque pra mim tá sendo um puta desafio, então quem sabe pra ti também é.

  • Se a sua família tem negócios próprios, o que quer que seja, bem vindo.
  • Se você tá resistindo se envolver por medo, dúvida ou outra sensação estranha, bem vindo.
  • Se você considera de envolver mas não sabe de deve, se tá pronto, se pode ajudar mesmo, bem vindo.
  • Se você já se envolveu e tá querendo revolucionar a porra toda, vamos junto.

E pra quem apoia esses negócios de alguma forma, profissionais de marketing, de dados, de finanças, de processos, de gestão: oi, já olharam pra gente aqui? Sabem que sucessão e transformação são baita clientes?

Afinal, e vamos ficando um pouco mais sérios aqui, de cada 100 negócios no mundo, 80 são familiares.

Precisam de um tempo pra absorver?

Desses 80, menos de 25 sobrevivem até a segunda geração.

Menos de 10 sobrevivem até a terceira geração.

E só 2 prosperam para a quarta geração em diante.

São dados da HBR, não meus.

A, as experiências também não vão ser só minhas.

A ideia é bater um papo leve e descontraído, rindo de nervoso talvez, sobre as sensações, os desafios, as várias etapas e as descobertas desse processo que (pode ser) tão incrível. Especialistas que possam facilitar nossa vida também são bem vindos 🙂

Então independente de você querer/não querer, pensar nisso o tempo todo ou nunca considerar, se preparar a vida ou cair de maduro que nem eu, em algum momento você vai se identificar e com certeza vai tirar alguma coisa para aplicar no seu processo de transformação – seja ele qual for.

Afinal, o que a gente quer é se encontrar enquanto faz o bem – pro negócio e pro mundo – sem acabar com a empresa ou a família.

Se tem como separar? Não sei. 

Se é necessário? Não sei também.

Mas se a gente tiver aberto a trocar uma ideia, estaremos mais perto de descobrir.

continuando (!)

Eu acho lindo a quantidade de gente disposta a falar sobre empreendedorismo, criatividade, começar do zero, tirar do papel, estruturar, desenhar estratégia / crescer/ escalar/ dominar o mundo – mas vocês não querem saber o que acontece depois? Tem uma mágica em continuar, vocês não vêm?

Em dizer “mãe, pai, tio, primo” – pode deixar que eu cuido.

Um dia essa pessoa pode ser você, que trabalhou pra cacete e quer ver alguém cuidar do seu império com tanto amor e energia quanto você doou por tantos anos.

Por quê construir algo se não for pra durar?

Como os jovens vão assumir daqui a 30, 40, 50 anos se a gente nunca falar sobre transformação? Sobre liderança, responsabilidade, métricas e resultados – mesmo e talvez principalmente num ambiente familiar?

Posso estar querendo abraçar o mundo (ou pelo menos 80% dele), mas um round só não ganha a luta – né?

então:

Tá, vamos aos passos práticos:

  • Tudo aqui é artesanal, tipo áudião mesmo, mas espero que o conteúdo compense a forma e te inspire ao movimento.
  • Eu to nesse mesmo desafio, então nada (absolutamente nada) é receita pronta – vou amar me corrigir e me contradizer se preciso for.
  • Vou chamar esse de papo “zero”, já que é mais um desabafo do que conteúdo em si – mas nos próximos já pode esperar pelo menos uma coisa pra anotar no bloco de notas, digital ou não.
  • Vamos na onda do exponencial e enviar pra pelo menos duas pessoas que possam se interessar?
  • To aqui me comprometendo publicamente (ou médio, pq parece que to falando sozinha) com um papo 1 – e seguimos em fragmentos.

Um brinde às pequenas revoluções que a gente pode fazer de dentro de casa. Continua se cuidando!

Maria Julia Bezzi
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Vejo o mundo como um conjunto de processos de ponta a ponta a serem otimizados. Acredito na mistura de pessoas e da tecnologia. Minha energia vem do sol as conexões que crio são chave para um crescimento sustentável e exponencial.

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