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Remédio para procrastinação: existe?

Na hora de tomar uma decisão, o que te guia? Maximizar prazer ou minimizar dor? Em geral, o processo decisório foca em minimizar a dor. Na verdade tudo que a gente faz instintivamente quer evitar constrangimentos, exposição e até dor física mesmo.

Pode parecer que há pouca ou nenhuma diferença entre as opções: considerando que são sensações opostas e, por isso, diretamente proporcionais. Mas não é bem assim.

O cálculo mental do procrastinador

A procrastinação nada mais é que uma comparação entre dor e prazer. E a resposta, mesmo que “inconscientemente”, vem fácil. Muitas vezes, através dessa falsa lógica.

Vamos aos exemplos: escrever esse artigo ou assistir séries.

Nesse caso escrever é um esforço (dor) e assistir séries é lazer (prazer).

Usando a matemática básica e a lógica acima, o cálculo fica assim:

Se menos (-) esforço = mais (+) Lazer 

Escrever é mais (+) esforço = menos (-) Lazer
Assistir séries é mais (+) Lazer =  menos (-) esforço

É aí que a nossa mente procrastinadora faz o cálculo rapidamente: assistir séries é melhor pra mim!

No fundo, sabemos que o cálculo não é tão simples. Procrastinar pelo prazer imediato só faz aumentar a dor. Tudo fica mais difícil e parece que o esforço triplica. O que essa conta “rápida” não leva em consideração são duas variáveis bem importantes:

  1. A razão pela a qual esse esforço é importante (no caso, escrever o artigo)
  2. Qual o objetivo que ele nos ajuda a alcançar.

Assim, qualificar o cálculo implicaria preencher esse parágrafo:

[Esse esforço] é importante porque [me traz x] e só assim posso [atingir y]. Quando isso acontecer, eu vou me sentir [o que cumprir aquela meta te traz pessoalmente].

Escrever é importante porque é como eu divido aprendizados e só assim posso me tornar referência em futuro do trabalho e liberdade profissional. Quando isso acontecer, eu vou me sentir realizada, feliz e relevante.

As novas informações nos permitem reorganizar o que parecia lógico e ver tudo como dor ou tudo como prazer. Muito mais comparável, né?

Nesse caso:

Tudo como dor: é a concentração/solidão da escrita versus não sentir-se realizada e feliz.
Tudo como prazer: é a possibilidade de realização, felicidade e relevância versus o entretenimento momentâneo das séries (ou o que quer que seja o objeto da procrastinação).

Não faz sentido escolher dor – mas a gente escolhe

A verdade é que temos muito mais a perder (e a sofrer) com a procrastinação do que a ganhar com ela. Rolar redes sociais, assistir série e abrir a porta de geladeira são só alguns sintomas desse mal que aflige a todos nós. Qual é o seu preferido? 

consciência gritando: “é fome ou vontade de procrastinar?”

Qual sua procrastinação preferida?

Beba o remédio contra a procrastinação em pequenas doses

A primeira dose do remédio é identificar o que usamos como procrastinação e nomear isso! Escrever em um post-it e pregar na parede os hábitos de procrastinação ajuda bastante a tomar decisões conscientes!

Depois de construir essa lembrança contínua sobre os nossos hábitos, a segunda dose é construir motivação interna pela visualização de avanços tangíveis. Uma boa forma de fazer isso é construindo pequenos ganhos, no caso desse artigo, que usamos como exemplo desde o início, ele foi dividido em quatro estágios: introdução, cálculo, solução e revisão. A cada estágio completo, um marco era sinalizado no caderno, e a motivação de chegar ao fim cultivada.

É interessante fazer isso também com a “big picture”, chamaremos isso de terceira dose, o projeto maior pelo o qual a atividade está servindo, assim construímos âncoras no tempo, e no futuro poderemos lembrar de onde estávamos e tudo que crescemos. Novamente cultivando essa motivação.

Escrevi sobre outra prática de mensurar esse avanço aqui.

Às vezes, a procrastinação acontece porque a recompensa de superá-la não é tão valiosa assim. Na maioria desses casos é que os resultados não estão tão alinhados com os nossos valores e senso de propósito. E isso conta muito!

Repensar, pesar e abrir mão nesse caso, seria um remédio de dose única, normalmente mais forte, mas com resultados mais rápidos. 

E uma vez que curamos o cultivo infinito da dor que a procrastinação traz, criamos tempo e espaço para realizar coisas que fazem realmente sentido para nós: nossos sonhos, talvez?!

Nos conta nos comentários outras dicas e hacks para quem quer parar de procrastinar de uma vez por todas!

Maria Julia Bezzi

Co-founder at vo.lar
Vejo o mundo como um conjunto de processos de ponta a ponta a serem otimizados. Acredito na mistura de pessoas e da tecnologia. Minha energia vem do sol as conexões que crio são chave para um crescimento sustentável e exponencial.
Maria Julia Bezzi

1 comment on “Remédio para procrastinação: existe?

  1. Estou aqui lendo esse artigo depois de procrastinar pelos últimos 60 minutos. Maravilhoso!

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