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#MeuVôo | Sobre as muitas pessoas que somos durante a vida

Quando criança, nunca soube dizer exatamente o que queria fazer quando crescer, todos os dias, eu queria ser algo diferente, já era multipotencial, sem nem ao menos imaginar que este termo existia.

A única coisa que tinha certeza e que percorria meus pensamentos todos os dias, era o desejo intenso que sentia de descobrir o que é que tinha do lado de lá do horizonte. Dia após dia, olhava para aquele horizonte colorido e sonhava com o tempo que poderia sair por aí, em busca dos meus “tesouros encantados”.

Era uma criança de imaginação fértil e meus melhores companheiros sempre foram os livros e os filmes. Eles me proporcionavam viajar, quando nem tinha andado de avião ainda.

Acredito que foi esse sonho de descobrir como realmente era o mundo, sendo observado por diferentes ângulos, que me levou a percorrer lugares tão distantes, morar em 6 estados, 4 países e inúmeras casas que até já perdi as contas.

Frequentemente sou questionada acerca do modelo de vida que adotei, mas para mim isso
sempre foi tão natural. Nunca me senti como uma árvore, fadada a viver em um só lugar. Na verdade, me sinto como um pássaro, livre para voar para onde bem desejar.

A única peça da minha história que não fazia sentido com todas essas mudanças, era que por muitos anos dependi de um trabalho formal. Por isso, o período de adaptação em cada lugar novo era bastante confuso e penoso. Até que em 2017, retornei a Londres, depois de um período morando em Lisboa e arrumei um trabalho de garçonete num Café Australiano, chamado Lantana.

O Lantana Café é um lugar que respira arte, através da comida, da decoração, das músicas e do estilo peculiar de cada um dos seus colaboradores. Foi trabalhando lá que descobri que às oito horas que passava no trabalho eram só uma parte do meu dia e não representavam o meu ser, nem podiam limitar minha criatividade e capacidade de desenvolver diferentes projetos.

Quando saía de lá podia ser quem eu bem entender. Assim como faziam todos que
trabalhavam lá. Alguns eram músicos, outros escritores, apresentadores, fotógrafos e
designers. Neste trabalho compreendi um conceito que iria mudar a minha vida pra sempre, trabalho, vocação e paixão podem ser coisas completamente diversas. E o mais importante, o trabalho de 9-6pm não deve nunca definir as pessoas e suas capacidades.

Desde essa época, minha vida mudou bastante, terminei meu relacionamento, mudei meu estilo e deixei para trás vários paradigmas retrógrados acerca de sucesso e felicidade.
Assumi para amigos e familiares que era uma artista e jamais poderia voltar ao Brasil, para ser uma advogada, como muitos deles haviam prospectado, já que havia me graduado em direito no ano de 2012.

Comecei a fotografar, voltei a escrever regularmente, a direção criativa bateu à minha porta e a abracei com muito carinho. Fiz um curso de verão de fotografia em Londres, criei e executei um projeto lindo, chamado Exalting the Black Beauty, que se transformou numa exposição de fotos e num documentário que está no Youtube. Lancei minha marca pessoal conjuntamente com o Blog e comecei a republicar os artigos no Linkedin, minha rede social favorita.

Em julho de 2019, depois de quase dois anos me preparando financeiramente (fiz uma reserva de emergência de 2 anos) e emocionalmente (fiz um processo de life coaching), para a transição de carreira, deixei um emprego formal, em uma empresa de real estate em Londres, para trabalhar somente com a minha marca pessoal, realizando trabalhos freelancers, como escritora e fotógrafa.

Essa transição só foi possível, porque lá em 2017, mudei meu mindset quanto ao que era
trabalho e como ele poderia ser desenvolvido, de diferentes maneiras, justamente porque me permiti conhecer o suficiente, e aceitar por completo a minha alma de artista e multipotencial.

Acredito que a felicidade e o sucesso são coisas bastante individuais, e estão inteiramente
ligadas aos nossos valores pessoais, portanto, descobrir quem eu realmente sou e saber que meu valor principal é a liberdade, me fez ter a coragem para mudar tudo novamente, para viver totalmente conectada com a minha essência, que é livre feito um pássaro.

Atualmente vivo dos meus freelas, como redatora e logo mais estarei iniciando uma nova
faculdade, agora de fotografia, em Valência na Espanha, onde pretendo fazer a minha base na Europa, depois de 5 longos anos vivendo na Inglaterra.

Sinto que uma nova formação, agora aos 30 anos, na área das artes, vai ajudar a despertar a minha criatividade ainda mais. Tá tudo bem não saber o que você vai fazer quando crescer, porque talvez você vai ser tantas coisas que as definições padrões não contemplem sua personalidade multipotencial.

Handra Amorim
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Meu nome é Handra Amorim. Sou uma alma Livre e Curiosa, que respira arte e é completamente apaixonada pelo processo de aprendizagem e compartilhamento de conhecimentos.

4 comments on “#MeuVôo | Sobre as muitas pessoas que somos durante a vida

  1. Márcia Caria Madella

    Descobrindo em minha vida, essa vida freelance. Sigo acompanhando. Aprendendo todos os dias com vocês, nômades digitais. Obrigada.

  2. Parabéns Handra, eu que conheço bem a sua história sei que não foi isso que planejei para você, mas respeito a sua vontade e decisões que tem tomado, porque sei que você desde criança com 8 anos de idade você já era uma escritora já escrevia suas historinhas e sempre participou do teatro na escola com bastante maturidade. Desejo sucesso em seus vôos que seja muito feliz e realizada, continue sendo esse exemplo para outras pessoas que as vezes quer ser livre quer ser o senhor do destino, mas acaba ficando com medo de enfrentar as diversidades da vida. Beijos te amo filha sucesso em sua carreira estamos juntos.

  3. Nilza Amorim Pontes Cardoso

    Adimiro muito as pessoas com perseverança e coragem de mudanças sem mefo de tentar e começar de novo que vao atraz de um ideal que acreditam.
    Parabens e prosperidades na pessoa que e hoje e na pessoa que possa se tornar. Beijos felicidades

  4. Eu já acompanhei tantas fases da Handra e cada uma delas me supreende de diferente maneira e não digo isso como ponto negativo. Eu sou fã desse lado camaleoa que se adapta e se transforma a cada fase da vida tentando sempre buscar a sua melhor forma.
    Acredito, que essa fase de agora é uma Handra mais leve, assim como ela mesmo se drescreve e isso foi possível a partir do momento que ela começou a olhar de dentro para fora e obter mais conhecimento sobre sí.
    Ela, minha amiga de longa data e que se desenvolve e “cria” uma Handra a cada novo ciclo. Ela é encantadora e com um potencial que vai além do que nós todos podemos mensurar.
    O mundo é seu, voe o mais alto e longe que puder e tenha quantas fases que você quiser ter, está tudo bem.
    Todo meu amor, carinho, admiração e gratidão pelo nossa amizade. Love u ❤

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