#meuvôo academia Carreira

#meuvôo | alternativas para a vida acadêmica

O #meuvôo da Raíssa Santana traz alternativas para a vida acadêmica: um assunto que ainda não falamos muito, mas que pode limitar quem opta pelo caminho de estudos e pesquisa. Pensar alternativas para a vida acadêmica é essencial não só para essas pessoas, mas para a inovação e o desenvolvimento da sociedade em geral – já que é o que forma a base de novas estratégias e soluções.

“Quem faz mestrado e doutorado só pode crescer na vida dentro da bolha acadêmica”, pelo menos essa era a minha percepção quando eu entrei no curso de Letras da USP em 2012.

A trajetória da minha vida naquela época estava clara:

  • iniciações científicas;
  • mestrado;
  • doutorado;
  • concurso público;
  • ser muito feliz fazendo pesquisa e dando aula em uma excelente instituição pública.

No entanto, os cortes cada vez mais frequentes na ciência do Brasil jogam a cada ano (ou mês!) uma pá de areia sobre o sonho que eu havia idealizado com tanto cuidado.

Na realidade, não se trata apenas do meu sonho, mas dos projetos e metas de muitos acadêmicos brasileiros pelas universidades país afora.

Sem bolsa e pesquisa para todo mundo não há como providenciar o básico, principalmente se estivermos falando no acadêmico que mora sozinho.

A parte financeira é super relevante para definir seu trabalho! Já viu as outras aqui?

Em média, um estudante de mestrado ganha cerca de 1.500 reais mensais por 24 meses e, para isso, deve se comprometer com um regime de dedicação exclusiva à pesquisa.

Eu ainda nem comecei o doutorado, mas já percebi que do jeito como as coisas estão eu não vou atingir os meus objetivos. Até agora, eu só falei do que eu planejava para a minha carreira, mas a vida não é composta apenas de um trabalho. Nem a minha nem a de ninguém.

Como ficam os sonhos de viajar para outros países para investir dinheiro e tempo no conhecimento de outras culturas e novas vivências? E se eu quiser ter uma família antes dos 30 anos? Como é que vou dar conta de uma estrutura familiar, que querendo ou não precisa de um bom suporte financeiro para ter acesso à saúde e educação de qualidade? Eu preciso esperar tanto assim para, finalmente, viver a minha vida?

“Sem dinheiro não vai dar”, eu disse para mim mesma, em um súbito momento de lucidez depois de refletir tanto sobre o material de que são feitos os meus sonhos.

A partir desse momento, eu tomei a decisão de conseguir renda extra de alguma maneira, mas sem abandonar a academia. Eu pensei alternativas para a vida acadêmica justamente para garantir a minha dignidade e não desistir de contribuir com o avanço da ciência no país em que nasci.

Unindo o útil ao agradável, por mais clichê que seja essa expressão, decidi que iria acelerar a minha vida ajudando outras pessoas a escreverem bem. Para isso, comecei a fazer alguns bicos como redatora freelancer e acabei fidelizando até hoje alguns clientes que estão comigo desde o momento em que eu comecei.

No entanto, acabei perdendo alguns trabalhos porque não tinha como emitir nota fiscal pelos serviços e isso acendeu uma luz na minha cabeça. Era a desculpa de que eu precisava.

Abri minha empresa cheia de dívidas e sem um curso de administração para lidar com ela.

Alguns meses depois, algumas coisas não mudaram: meus clientes, meu local de trabalho (continua sendo a minha casa), meus sonhos. Por outro lado, algumas coisas estão sim bastante diferentes: tenho uma funcionária, menos dívidas, dinheiro para realizar frações dos meus sonhos, um doutorado para começar e flexibilidade.

Para quem tinha perspectiva zero de construir uma vida bacana trabalhando com a ciência, acho que eu estou muito bem.

É claro que seria ideal que um acadêmico fosse remunerado de maneira séria pelo papel que ele desempenha, mas o mundo em que nós vivemos não é justo. Enquanto lutamos para que carreiras como essa recebam o devido valor, precisamos viver.

Como eu disse anteriormente, unir o útil ao agradável é um clichê, mas funciona. Os rumos alternativos para a vida acadêmica existem e esperto é aquele que dá um jeito de caminhar com os pés em estradas diferentes.

Clica aqui ou aqui para saber mais sobre a situação da ciência no país.

Raíssa Santana

Raíssa tem 25 anos e é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (habilitada e licenciada em português e inglês), além de ser mestra em Linguística pela mesma instituição. Em meados de 2019, fundou o Laboratório de Escrita Criativa e Acadêmica, mais conhecido como Leca-Lab, em que trabalha ajudando pessoas a veicular conteúdo pela escrita.
Raíssa Santana

Latest posts by Raíssa Santana (see all)

Raíssa tem 25 anos e é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (habilitada e licenciada em português e inglês), além de ser mestra em Linguística pela mesma instituição. Em meados de 2019, fundou o Laboratório de Escrita Criativa e Acadêmica, mais conhecido como Leca-Lab, em que trabalha ajudando pessoas a veicular conteúdo pela escrita.

0 comments on “#meuvôo | alternativas para a vida acadêmica

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *