Carreira Futuro do Trabalho Insights

O que as Organizações sociais podem ensinar aos negócios – Imersão 2 de 4

Empreender é trazer ideias para o mundo real – e se a realidade é complexa, isso nunca é muito simples.

A volar quer permitir que as pessoas, principalmente os que não estão satisfeitos com seu trabalho, possam explorar diferentes oportunidades e criar novas formas de contribuir com o mundo.

Para isso, criamos um programa de experimentação profissional para que cada um tire suas próprias conclusões e decida o que fazer a seguir com mais conhecimento sobre si e o mundo.

O primeiro contato com a realidade foi totalmente offline e baseado na nossa capacidade de comunicar nosso sonho (e inspirar!) parceiros. 

Na primeira semana vivenciamos a rotina de uma startup e entendemos, durante cinco dias, suas principais atividades e desafios. Identificamos como nos relacionávamos com pessoas, com o ambiente e com a dinâmica de inovação e incerteza inerente a esse formato de trabalho. Nossos insights estão aqui.

Como defendemos uma abordagem prática e plural, a startup foi só o começo. Para entender como o processo se encaixa a diferentes situações, mudamos completamente e a segunda semana foi um mergulho no ambiente social.

Insights da Semana 2: vivendo a rotina de uma ONG

Se o mundo de startups já é cheio de desafios, o terceiro setor adiciona uma complexidade: necessidade de apoio contínuo. Mesmo as empresas com impacto social, por definição, são  financeiramente sustentáveis e não têm a constante preocupação com financiamento externo. 

Esse é uma das grandes motivações para que ONGs caminhem na direção de negócios sociais para fazer o bem e gerar receita – algo extremamente necessário.

Na CRESCER, conhecemos os principais projetos e acompanhamos a rotina da equipe no apoio à população vulnerável: dependentes químicos, moradores de rua e refugiados. Queríamos conhecer as motivações, os desafios, os processos e a rotina de quem escolheu esse formato de trabalho.

Entramos buscando insights, saímos com lições de vida. Os aprendizados vieram da filosofia, da equipe, da cultura, dos beneficiários e da convivência ao longo da semana. Listamos um insight por dia, mas tem muito mais informação aqui.

DIA 1

INSIGHT: Quando queremos ajudar outras pessoas, não importa o que a gente acredita.

Organizações sociais e empreendedorismo têm uma grande semelhança: ambos se propõe a resolver problemas que ainda não foram resolvidos adequadamente por ninguém. Em ambos os casos, devemos conhecer nosso cliente, entender suas dores e indicar formas de solucionar o problema como é percebido por eles.

Nas startups, esse é o processo de descobrimento do cliente. Para a CRESCER, é a única forma real de criação de valor para os beneficiários. Para isso, eles têm alguns pilares muito enraizados na organização: como respeito e aceitação por todos, inclusive os dependentes químicos. Isso significa que se não buscam a sobriedade ou resistem a tratamentos, tudo bem. Mesmo que pareça contra intuitivo, mesmo que pra gente a opção lógica seja tirá-los da rua.

DIA 2

INSIGHT: A cultura é o que justifica toda a energia envolvida na organização.

A filosofia da CRESCER de “redução de riscos e minimização de danos” está gravada em cada uma das pessoas com as quais tivemos contato. Não foi preciso ler no título do site ou receber brochuras que explicassem como funciona: é o que guia todas as ações dentro da organização.

Alinhado ao primeiro insight, é motor na busca de soluções inovadoras que respeitem cada indivíduo. “Reduzir riscos e minimizar danos” foi o que levou à adoção do programa de substituição de seringas, por exemplo, que apesar de apresentar resultados sólidos ainda é bastante polêmico. 

Os profissionais da saúde visitam os principais locais de consumo de drogas em Lisboa entregando kits com material seguro: são seringas, filtros, agulhas, cachimbos e mais.Eles partem do princípio que ninguém pode forçar ninguém a fazer algo que não queira, e se as pessoas escolhem consumir substâncias químicas – então o devem fazer com segurança, diminuindo os riscos de contaminação para eles e para os outros.

Apesar de contra-intuitivo no que tange o consumo de drogas, o programa vem diminuindo rapidamente os níveis de doenças como AIDs e Hepatite – e ajudando muitas pessoas isoladas a se reintegrarem na sociedade.

DIA 3

INSIGHT: Todos são fundraisers.

A necessidade de financiamento é, em geral, outra similaridade entre startups e ONGs. As primeiras precisam de recursos para soluções ainda pouco conhecidas e as segundas os buscam para o que é pouco interessante ao segundo setor. Nos dois casos, há diferentes portas de entrada para capital externo. Prêmios, parcerias, projetos conjuntos, licitações, concursos e candidaturas são alguns deles.

Para buscar qualquer uma dessas opções, é necessário comunicar bem o projeto que busca apoio (seja social ou não). Os destino que darão aos recursos, o impacto que seu sucesso terá (no mundo ou financeiramente), as pessoas que têm capacidade de execução. Isso tudo sem esquecer de alinhar o discurso às razões que tornam aquele parceiro o ideal. Ou seja, só quem conhece a organização pode se envolver nessas investidas: e ninguém melhor que quem a constrói diariamente para tal.

Por isso, na visão da Flor, fundraiser não é um cargo: é um papel distribuído entre todos os projetos e todos os indivíduos da equipe.

DIA 4

INSIGHT: Confiança inspira confiança.

A intervenção da CRESCER começou em 2001 com a Lei da Descriminalização de diversas drogas aqui em Portugal. Essa lei seguiu um período muito sensível para o tema, quando uma região inteira da cidade era tomada pelo tráfico (o Casal Ventoso) e todos os problemas sociais que o seguiam. A mudança na legislação deixou de ver a dependência como crime e passou a considerá-la uma questão de saúde.

Essa percepção abriu portas para programas de intervenção, tratamentos e alternativas que trouxeram resultados impressionantes para o país. Agora imagina ouvir essa mesma história, detalhadamente, com nomes e citações – por duas horas. A Andreia sabe tudo que é possível sobre o que ela quer resolver: desde quando começou até quem são os envolvidos e quais os desafios. Ela tem nomes, datas, referências em tempo e espaço que lhe dão autoridade sobre aquilo e tornam muito difícil contradizê-la. Saiba absolutamente tudo o que há sobre o seu tema. Confiança é ouro. 

DIA 5

INSIGHT: O simples sempre pode ser mais simples.

Já imaginou chegar em um país diferente e ter que resolver a vida, de documento de identidade a plano de internet? Nós acompanhamos um grupo de refugiadas da Somália nesta missão, junto a um tradutor africano que se comunicava (bem mais ou menos) com elas em árabe. Explicar opções, exigências, burocracias e sugestões já é complicado na mesma língua, mas entre dialetos ou com alguém com o vocabulário limitado é um desafio grande.

Para garantir que (novamente) elas fossem tratadas como adultas e tivessem total autoridade sobre suas decisões, tínhamos que explicar tudo em algumas palavras, gesticulando e desenhando do jeito mais universal possível. E todo mundo se entendia. A partir de hoje, vou falar como se ninguém falasse a mesma língua – para deixar sempre o mais claro possível. Para excluir ruídos e não gerar dúvidas. Imagina se todo mundo se comunicasse assim?

SEMANA 3: Conheça mais sobre trabalho remoto

O trabalho voluntário em ONGs já é extremamente recompensador, mas conhecer as possibilidades profissionais na CRESCER trouxe uma perspectiva diferente sobre todos os caminhos que podemos criar.

Sempre defendemos que formatos de trabalho diversos têm sinergias e podem se complementar das formas mais inusitadas. Estar dentro da organização, em um contexto totalmente diferente traz uma originalidade ao que pensamos, criando novas pontes às demais áreas da nossa vida.

Semana que vem vamos acrescentar aprendizados do trabalho remoto e nomadismo digital – se prepara que vai estar tudo nos canais da volar!

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